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Com China e Europa travadas, EUA viram principal destino da carne bovina brasileira em setembro

Mesmo com menos volume embarcado, receita das exportações subiu 14,1% até setembro. Especialista da CNA vê a China voltando às compras ainda em outubro, mas não espera uma reabertura rápida da UE.

Por GuilhermedaPorteira · 22/10/2026 09:30
Com China e Europa travadas, EUA viram principal destino da carne bovina brasileira em setembro
Grupo de bovinos Nelore em pastagem, em primeiro plano
Gado Nelore na fazenda do Instituto de Zootecnia, em Colina (SP). Foto: Daniel Guimarães/AgriculturaSP, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

As restrições da China e da União Europeia mudaram o mapa das exportações de carne bovina do Brasil em 2026. A avaliação foi apresentada por Rafael Lima Filho, especialista da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP, em 14 de outubro.

Menos volume, mais receita

De janeiro a setembro, o Brasil faturou US$ 12,97 bilhões com a carne bovina exportada, alta de 14,1%. O volume embarcado caiu 1,5%, para 2,11 milhões de toneladas, mas o preço médio subiu 15,9%. O país é o maior exportador do mundo e responde por 31% do comércio global da proteína.

China: compras devem voltar com a nova cota

A China respondeu por 42,5% dos embarques no acumulado do ano, mas caiu para apenas 5,6% em setembro. A cota brasileira, de 1,1 milhão de toneladas, se esgotou em agosto, e o volume vendido em setembro foi 94,2% menor que no mesmo mês de 2025. Segundo Lima Filho, há carne brasileira estocada em câmaras frias na China à espera da renovação da cota, e as compras devem voltar até o fim de outubro.

União Europeia: sem previsão

Para a UE, o especialista não vê saída no curto ou no médio prazo. A carne bovina precisa cumprir os protocolos de não uso e segregação de antimicrobianos e passar por toda a vistoria, como já aconteceu com o frango e o mel. As 19,7 mil toneladas enviadas ao bloco em setembro foram certificadas antes da suspensão. Segundo ele, as próximas exigências europeias devem tratar de desmatamento e bem-estar animal.

Estados Unidos absorvem parte da carne

Parte da carne que iria para esses mercados foi para os Estados Unidos, que se tornaram o principal destino em setembro, com 21,5% dos embarques. No acumulado do ano, as vendas aos americanos cresceram 45%. Os EUA também abriram uma cota extra de 300 mil toneladas de carne magra, válida de 1º de setembro a 30 de novembro.

Lima Filho vê espaço para crescer na Indonésia, nas Filipinas e no Vietnã, além de ampliar as vendas para Japão e Coreia do Sul, que pagam mais por carne de qualidade. Rodolfo Botelho, presidente da Comissão Técnica, defendeu reduzir a dependência da China e apostar em carnes diferenciadas. Ele lembrou que só 11 propriedades do Paraná estão habilitadas a exportar para a Europa.


Fonte: Portal Agrolink, com informações da CNA e do Sistema FAEP (15/10/2026). Texto reescrito pela redação do Pecuária Agora.

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