Com China e Europa travadas, EUA viram principal destino da carne bovina brasileira em setembro
Mesmo com menos volume embarcado, receita das exportações subiu 14,1% até setembro. Especialista da CNA vê a China voltando às compras ainda em outubro, mas não espera uma reabertura rápida da UE.

As restrições da China e da União Europeia mudaram o mapa das exportações de carne bovina do Brasil em 2026. A avaliação foi apresentada por Rafael Lima Filho, especialista da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP, em 14 de outubro.
Menos volume, mais receita
De janeiro a setembro, o Brasil faturou US$ 12,97 bilhões com a carne bovina exportada, alta de 14,1%. O volume embarcado caiu 1,5%, para 2,11 milhões de toneladas, mas o preço médio subiu 15,9%. O país é o maior exportador do mundo e responde por 31% do comércio global da proteína.
China: compras devem voltar com a nova cota
A China respondeu por 42,5% dos embarques no acumulado do ano, mas caiu para apenas 5,6% em setembro. A cota brasileira, de 1,1 milhão de toneladas, se esgotou em agosto, e o volume vendido em setembro foi 94,2% menor que no mesmo mês de 2025. Segundo Lima Filho, há carne brasileira estocada em câmaras frias na China à espera da renovação da cota, e as compras devem voltar até o fim de outubro.
União Europeia: sem previsão
Para a UE, o especialista não vê saída no curto ou no médio prazo. A carne bovina precisa cumprir os protocolos de não uso e segregação de antimicrobianos e passar por toda a vistoria, como já aconteceu com o frango e o mel. As 19,7 mil toneladas enviadas ao bloco em setembro foram certificadas antes da suspensão. Segundo ele, as próximas exigências europeias devem tratar de desmatamento e bem-estar animal.
Estados Unidos absorvem parte da carne
Parte da carne que iria para esses mercados foi para os Estados Unidos, que se tornaram o principal destino em setembro, com 21,5% dos embarques. No acumulado do ano, as vendas aos americanos cresceram 45%. Os EUA também abriram uma cota extra de 300 mil toneladas de carne magra, válida de 1º de setembro a 30 de novembro.
Lima Filho vê espaço para crescer na Indonésia, nas Filipinas e no Vietnã, além de ampliar as vendas para Japão e Coreia do Sul, que pagam mais por carne de qualidade. Rodolfo Botelho, presidente da Comissão Técnica, defendeu reduzir a dependência da China e apostar em carnes diferenciadas. Ele lembrou que só 11 propriedades do Paraná estão habilitadas a exportar para a Europa.
Fonte: Portal Agrolink, com informações da CNA e do Sistema FAEP (15/10/2026). Texto reescrito pela redação do Pecuária Agora.
